Educação Escolar da Pessoa Surda e o
Atendimento Educacional Especializado
O
debate da educação Escolar das Pessoas Surdas acontece durante anos nos países
europeus e no Brasil a cada ano,a cada década vem evoluindo. Leis e Decretos
asseguram o direito a educação dessas pessoas. Estudiosos debatem o tema
apresentando propostas pautadas na inclusão que de fato garantam seus direitos.
No
texto a proposta Bilíngue de Educação do Surdo , a autora Lorena Kozlowski, apresenta as linhas de educação da Pessoa Surda ( Oralismo/ gestualismo, a
linguagem sinalizada, a proposta Bilíngue). Ela resgata a história do Oralismo
fazendo um passeio pelos países da França, Espanha e Estados Unidos. Expondo as
tentativas de cada país no desenvolvimento da linguagem e aprendizagem da PS. Kozlowski(1998)
relata sobre uma experiência bilíngue em Curitiba, que é baseada no método de
Madame Suzane (França anos 60). Esse modelo apresenta uma estrutura definida
com acompanhamento multidisciplinar, familiar e a criança deve estar
matriculada na escola regular. A escola e o centro tem contatos sistemáticos
que permite intercambio de informações, facilitando o processo de
desenvolvimento do aprendente.
Damázio
2005, em seu texto Educação escolar inclusiva das pessoas com surdez- questões
polêmicas e avanços contemporâneos, resgata a situação escolar do final do
século XX, relatando as polêmicas da inclusão e os que acreditam no discurso
multicultural, mas defendem relações de poder entre ouvintes e não ouvintes.
Para combater esse embate Damazio (2005.p109) propõe “uma inclusão
escolar, com mudança pragmática, onde uma nova concepção de homem, de mundo, de
conhecimento de sociedade, de educação e de escola pautada na heterogeneidade” .
sendo assim a autora considera a escola comum como a melhor escola para a PS.
Contra argumenta com Sá (1997) que acredita em uma escola exclusiva para surdos.
E concorda com Rocha (1997) que é contrário a educação que segrega, por esta
não garantir o exercício da cidadania para todos. Complementa sua defesa com os argumentos de Mantoan(2003) que alerta para a necessidade de esquecer as
antigas sub-divisões entre escolas regulares e especiais. Como também “eliminar
barreiras curriculares que fragmentam os conteúdos”. Com isso Damazio(2005)
propõe o caminho para essas polêmicas que é:
“provocar um impacto
politico social e educacional, rompendo com os modos lineares do pensar e do
agir humano e reconstruir as escolas, de modo
que ostentem valores e atitudes diferentes, frente as suas práticas
educacionais”.
Damazio
justifica o surgimento do AEE, que visa “complementar a escolaridade
e proporcionar ambientes educacionais e estimuladores, que desafiem o
pensamento e exercitem a capacidade cognitiva desses alunos.”(2005. p113).
Explica que a Língua de Sinais não é garantia de uma aprendizagem
significativa. E que o problema do atraso cognitivo da PS está relacionado a “impossibilidade
de usar a sua capacidade representativa do que uma limitação linguística”.
O
AEE para PS deve ser desenvolvido em três momentos pedagógicos:
O AEE em libras na escola comum trabalhará as idéias especificas dos
conteúdos trabalhados em sala comum. Esse serviço deve ser realizado todos os
dias, no contra turno preferencialmente por um professor surdo. Esse momento
requer uso de materiais pedagógicos: painéis, gravuras, murais... O professor
que realiza esse serviço precisa ter formação pedagógica e ter pleno domínio da Língua de Sinais para comunicação e interlocução. O planejamento deve ser
realizado com o professor da sala comum e profissional do AEE em Libras, pois
esse atendimento fornece a base conceitual da Língua e dos conteúdos
curriculares por trabalhar as ideias essenciais do conteúdos. Oportuniza ao aluno
criticar perguntar, opinar, analisar, fazer analogias, associações entre o que
conhece e o novo conhecimento em estudo
O AEE de Libras deve favorecer o conhecimento e a aquisição de
termos científicos. Será acompanhado por um professor e/ou instrutor de Libras,
preferencialmente surdo. O planejamento deve ser realizado a partir do estágio
que o aluno se encontra, após ser realizado um diagnóstico. O atendimento
ocorre no contra turno. O professor de Libras investiga, pesquisa em livros e
dicionários especializados, internet... Analisam os termos científicos (Biologia, História, Geografia e outros). Avaliam a criação dos
termos em Libras considerando a estrutura linguística, domínio semântico e/ou
empréstimos lexicais.
O AEE em Língua Portuguesa
acontece na SRM no contra turno. O professor, preferencialmente, formado em
letras. Tem por objetivo desenvolvera competência gramatical ou linguística,
textual para que sejam capazes de gerar sequências linguísticas. A organização
didática deve seguir alguns princípios: Materiais diversificados e recursos imagéticos, amplo acervo textual para possibilitar a pluralidade de discurso,
bem como a interpretação de enunciados. A ampliação de vocabulário, elaboração
tópicos frasais.
Entendemos que o AEE na Educação Escolar da
PS oportuniza aquisição e construções do conhecimento, mas para que isso
aconteça a escola precisa romper com a visão linear de homem e assim mudar suas
práticas pedagógicas. Dessa forma todos aprendem e desenvolvem suas habilidades
cognitivas.
Márcia visitei seu blog,gostei da sua postagem que por sinal está bem fundamentada e que traz excelentes contribuições ao nosso trabalho. Continue firme! Rose
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