quarta-feira, 26 de março de 2014

Educação Escolar da Pessoa Surda e o
 Atendimento Educacional Especializado

O debate da educação Escolar das Pessoas Surdas acontece durante anos nos países europeus e no Brasil a cada ano,a cada década vem evoluindo. Leis e Decretos asseguram o direito a educação dessas pessoas. Estudiosos debatem o tema apresentando propostas pautadas na inclusão que de fato garantam seus direitos.
No texto a proposta Bilíngue de Educação do Surdo , a autora Lorena Kozlowski, apresenta as linhas de educação da Pessoa Surda ( Oralismo/ gestualismo, a linguagem sinalizada, a proposta Bilíngue). Ela resgata a história do Oralismo fazendo um passeio pelos países da França, Espanha e Estados Unidos. Expondo as tentativas de cada país no desenvolvimento da linguagem e aprendizagem da PS. Kozlowski(1998) relata sobre uma experiência bilíngue em Curitiba, que é baseada no método de Madame Suzane (França anos 60). Esse modelo apresenta uma estrutura definida com acompanhamento multidisciplinar, familiar e a criança deve estar matriculada na escola regular. A escola e o centro tem contatos sistemáticos que permite intercambio de informações, facilitando o processo de desenvolvimento do aprendente.
Damázio 2005, em seu texto Educação escolar inclusiva das pessoas com surdez- questões polêmicas e avanços contemporâneos, resgata a situação escolar do final do século XX, relatando as polêmicas da inclusão e os que acreditam no discurso multicultural, mas defendem relações de poder entre ouvintes e não ouvintes. Para combater esse embate Damazio (2005.p109) propõe “uma inclusão escolar, com mudança pragmática, onde uma nova concepção de homem, de mundo, de conhecimento de sociedade, de educação e de escola pautada na heterogeneidade” . sendo assim a autora considera a escola comum como a melhor escola para a PS. Contra argumenta com Sá (1997) que acredita em uma escola exclusiva para surdos. E concorda com Rocha (1997) que é contrário a educação que segrega, por esta não garantir o exercício da cidadania para todos. Complementa sua defesa com os argumentos de Mantoan(2003) que alerta para a necessidade de esquecer as antigas sub-divisões entre escolas regulares e especiais. Como também “eliminar barreiras curriculares que fragmentam os conteúdos”. Com isso Damazio(2005) propõe o caminho para essas polêmicas que é:
 “provocar um impacto politico social e educacional, rompendo com os modos lineares do pensar e do agir humano e reconstruir as escolas, de modo  que ostentem valores e atitudes diferentes, frente as suas práticas educacionais”.
Damazio justifica o surgimento do AEE, que visa “complementar a escolaridade e proporcionar ambientes educacionais e estimuladores, que desafiem o pensamento e exercitem a capacidade cognitiva desses alunos.”(2005. p113). Explica que a Língua de Sinais não é garantia de uma aprendizagem significativa. E que o problema do atraso cognitivo da PS está relacionado a “impossibilidade de usar a sua capacidade representativa do que uma limitação linguística”.
O AEE para PS deve ser desenvolvido em três momentos pedagógicos:
O AEE em libras na escola  comum trabalhará as idéias especificas dos conteúdos trabalhados em sala comum. Esse serviço deve ser realizado todos os dias, no contra turno preferencialmente por um professor surdo. Esse momento requer uso de materiais pedagógicos: painéis, gravuras, murais... O professor que realiza esse serviço precisa ter formação pedagógica e ter pleno domínio da Língua de Sinais para comunicação e interlocução. O planejamento deve ser realizado com o professor da sala comum e profissional do AEE em Libras, pois esse atendimento fornece a base conceitual da Língua e dos conteúdos curriculares por trabalhar as ideias essenciais do conteúdos. Oportuniza ao aluno criticar perguntar, opinar, analisar, fazer analogias, associações entre o que conhece e o novo conhecimento em estudo
O AEE de Libras  deve favorecer o conhecimento e a aquisição de termos científicos. Será acompanhado por um professor e/ou instrutor de Libras, preferencialmente surdo. O planejamento deve ser realizado a partir do estágio que o aluno se encontra, após ser realizado um diagnóstico. O atendimento ocorre no contra turno. O professor de Libras investiga, pesquisa em livros e dicionários especializados, internet... Analisam os termos científicos (Biologia, História, Geografia e outros). Avaliam a criação dos termos em Libras considerando a estrutura linguísticadomínio semântico e/ou empréstimos lexicais.
O AEE em Língua Portuguesa acontece na SRM no contra turno. O professor, preferencialmente, formado em letras. Tem por objetivo desenvolvera competência gramatical ou linguística, textual para que sejam capazes de gerar sequências linguísticas. A organização didática deve seguir alguns princípios: Materiais diversificados e recursos imagéticos, amplo acervo textual para possibilitar a pluralidade de discurso, bem como a interpretação de enunciados. A ampliação de vocabulário, elaboração tópicos frasais.
     Entendemos que o AEE na Educação Escolar da PS oportuniza aquisição e construções do conhecimento, mas para que isso aconteça a escola precisa romper com a visão linear de homem e assim mudar suas práticas pedagógicas. Dessa forma todos aprendem e desenvolvem suas habilidades cognitivas.


Um comentário:

  1. Márcia visitei seu blog,gostei da sua postagem que por sinal está bem fundamentada e que traz excelentes contribuições ao nosso trabalho. Continue firme! Rose

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